Lixo Extraordinário: Vidas extraordinárias :: Crítica


Quem disse que não é possível usar lixo reciclável para fazer arte? A prova disso são as obras do escultor e artista plástico Vik Muniz, personagem central do documentário Lixo Extraordinário, dirigido por Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim. Mais do que um documentário, uma lição de vida.

Lixo Extraordinário, com Vik Muniz

O filme mostra o Jardim Gramacho, maior aterro sanitário do mundo, localizado no Rio de Janeiro. Vik Muniz mora nos Estados Unidos e vem ao Brasil para fazer um ensaio fotográfico dos catadores de lixo, pessoas que enfrentam dificuldades terríveis e sofrem com o desespero de viver na pobreza. A proposta de Muniz é vender os trabalhos e doar o dinheiro para a comunidade que vive no local.

Vik, ao lado de seu companheiro Fabio Ghivelder, mostra uma outra realidade para a população de Gramacho: a de que você nunca deve desistir dos seus sonhos e nem se considerar invisível. Por mais que os catadores sejam tratados como se não existissem, também são cidadãos e seres humanos que merecem uma vida digna.

Mesmo que o longa pareça uma autopromoção do artista, o trabalho que Muniz realizou foi fenomenal. Apesar das obras não serem originais - são recriações de artistas renomados - ele conseguiu usar material reciclável para transformar clássicos da pintura em um trabalho bem feito e criativo.

O ponto mais interessante do filme não são os retratos do lixo em si (nome que ele usou para sua exposição) , mas como a arte pode mudar a visão de mundo das pessoas. As histórias de vida dos moradores e a união da comunidade de Gramacho fazem o filme ser o que é.

Até a metade do filme, os personagens afirmam que são felizes e não podem reclamar da vida. Depois de trabalharem com Vik, percebem que podem ter uma vida melhor - e começam a enxergar o mundo com outros olhos.

Vik Muniz em Lixo Extraordinário

Boa parte do longa é em inglês, principalmente as cenas fora do Jardim Gramacho o documentário foi dirigido por uma britânica). As cenas em inglês - embora soem um pouco falsas, já que Muniz e sua mulher têm um forte sotaque brasileiro - foram feitas para agradar o público fora do Brasil.

Lixo Extraordinário ganhou o Prêmio da Anistia Internacional e Melhor Filme da Mostra Panorama, no Festival de Berlim de 2010. Também faturou os prêmios de Melhor Documentário Internacional, foi indicado ao Prêmio do Júri do Festival de Sundance e ganhou o Prêmio Especial do Júri em Paulínia. Porém, o documentário não atingiu o objetivo mais desejado: ganhar a estatueta do Oscar.

Apesar de ser indicado ao Oscar de Melhor Documentário, Lixo Extraordinário perdeu para Trabalho Interno, filme norte-americano sobre a crise econômica que assolou os Estados Unidos em 2008. A perda foi uma decepção para os brasileiros, principalmente para Tião, um dos personagens principais do filme e líder da Associação de Catadores de Material Reciclável do Jardim Gramacho, que teve a oportunidade de ir para Los Angeles assistir à cerimônia.

Lixo Extraordinário vale a pena ser assistido. Não pelos efeitos técnicos ou pela vida do artista plástico, mas pelas histórias de vida de pessoas "invisíveis" que tentam sair da miséria e buscar seu lugar ao sol.



Isabela Zamboni Autora: Isabela Zamboni - @isabelazm

Graduanda em Jornalismo. Adora filmes que fazem pensar e tem grande carinho por musicais.
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